Nascido em Luanda Norte, Wilson Ganga é um dos nomes pioneiros e mais influentes da nova geração de empreendedores africanos. Formado em Gestão de Negócios pela Saint Francis University, nos Estados Unidos, Ganga regressou a Angola movido por um sonho claro: revolucionar o mercado tecnológico africano e construir um ecossistema capaz de gerar impacto económico e social duradouro.
Aos 17 anos, ainda a viver nos EUA, já dava os primeiros passos no empreendedorismo com a criação da sua primeira empresa, Ambitious Stars, dedicada à venda de pulseiras e inspirada no lema “Attack your dreams”. Pouco depois, fundou a Tranzind Delivery, uma operação local de entrega de refeições que viria a servir de protótipo para o modelo que mais tarde implementaria em Angola.
Em 2015, regressa ao país e, ao lado dos parceiros Erickson Mvezi, Patrice Francisco e Sydney Teixeira, lança a Tupuca, a primeira plataforma angolana de food delivery. O projeto rapidamente se destacou por introduzir um conceito inédito: entregas de refeições, bens e serviços através de uma aplicação móvel. Tornou-se a startup mais financiada e uma das mais bem-sucedidas do país, abrindo caminho para o crescimento de um novo setor digital em Angola.
Pouco depois, Ganga ampliou o seu alcance com a T’Leva, o primeiro serviço de táxi eletrónico nacional, e a PayPay Africa, plataforma de pagamentos móveis lançada em 2020, que promove a inclusão financeira ao facilitar transações, pagamento de serviços e recargas via smartphone. Em 2022, a PayPay Africa foi reconhecida como a melhor fintech de Angola. O impacto das suas empresas vai muito além da inovação tecnológica gera milhares de empregos e tem contribuído para transformar a estrutura económica do país.
Em 2021, Wilson Ganga foi destacado pela revista Digest Africa como uma das dez pessoas mais influentes do ecossistema africano de startups, integrando o top 10 de uma lista de 50 perfis.
À frente da G-Corporate, holding que gere as suas várias empresas, Ganga tem expandido o seu portfólio para setores estratégicos como agricultura, mineração e produção local.
Ovos do Melo
Tiago Melo, nascido em 1995 e criado no antigo Bairro 6 de Maio, Amadora, é o empreendedor por detrás da marca Ovos do Melo, um dos negócios de distribuição alimentar de maior crescimento orgânico em Portugal. A sua trajetória pessoal, marcada por desafios na juventude e por um percurso de forte reinvenção, antecede uma carreira em que o foco no trabalho direto, na comunicação digital e na proximidade com o consumidor redefiniu o seu posicionamento no mercado.
Antes de fundar o negócio que o tornaria conhecido nacionalmente, Tiago passou por diferentes experiências profissionais, incluindo estudos no Chapitô, trabalhos na área artística, gestão de TVDE e empreendedorismo local. Em 2021, decide dedicar-se exclusivamente à distribuição de ovos ao domicílio, iniciando um modelo de negócio baseado na entrega direta e em parcerias com produtores nacionais.
Entre 2024 e 2025, a operação consolidou-se com um crescimento expressivo: de vendas semanais que ultrapassam as 78.000 unidades em 2024 para cerca de 100.000 em 2025, suportadas por uma equipa em expansão e processos de distribuição progressivamente automatizados. O impacto do marketing digital foi determinante, com a marca a alcançar audiências nacionais e a fidelizar públicos diversos através de comunicação contínua e de elevada interação.
O espaço da Ovos do Melo, sediado em Queluz, evoluiu também para um centro de criação cultural, com estúdios de fotografia e música que refletem a intenção de Tiago de integrar o empreendedorismo à criatividade e de manter uma ligação ativa à comunidade. Paralelamente, a sua presença nas plataformas digitais transformou-se num canal regular de conteúdos sobre empreendedorismo, organização de negócio e mobilidade social, reunindo uma comunidade de centenas de milhares de seguidores.
ÉBAN
Ana Tica, como é mais conhecida a Ana Fernandes, é nascida em Lisboa, numa família cabo-verdiana da ilha de Santiago. É licenciada em Animação Cultural e mestranda em Gestão de Organizações e Economia Social. Com mais de duas décadas de experiência em inovação social e desenvolvimento comunitário, Ana é fundadora da ÉBAN, uma startup portuguesa de tecnologia social ética. O seu percurso inclui projetos culturais e comunitários como Putos Qui ata Cria (2006), Nôs Terra (2011) e a co-fundação da União Negra das Artes (2021).
A ÉBAN é uma startup portuguesa de tecnologia social ética que transforma registos fragmentados de intervenção social em inteligência estratégica para países de língua portuguesa. Inspirado no símbolo Adinkra que representa proteção e segurança, o nome ÉBAN reflete a missão da empresa: responder a uma lacuna crítica, onde organizações de economia social e profissionais do setor trabalham com dados fragmentados, falta de ferramentas digitais e impacto invisível.
A plataforma integra três ferramentas éticas que medem impacto social através de pseudonimização: Blueprint App (documentação e gestão de casos), Impact Dashboard (visualização e análise de dados) e Social Observatory (inteligência coletiva e insights territoriais). Assente num modelo SaaS (Software as a Service) com funcionalidades gratuitas, premium e consultoria estratégica, a ÉBAN, incubada pela Djassi Africa no programa Shift e Afropreneurs Mission, foi reconhecida como Impact Startup pela Web Summit 2025. Os pilotos iniciais estão previstos para Cabo Verde e Lisboa em 2026, com um plano de expansão orientado para os países PALOP e Brasil, estimando-se um impacto potencial superior a 10 milhões de utilizadores.