KARYNA GOMES

Foto de divulgação: KARYNA GOMES

Karyna Gomes, nascida a 13 de fevereiro de 1976, em Bissau, é uma cantora, compositora, jornalista, reconhecida como uma das vozes mais influentes da música e da sociedade civil guineense. A sua identidade artística e pessoal é moldada pelas suas origens, filha de pai guineense e mãe cabo-verdiana.

Formada em Jornalismo, em São Paulo, Brasil, Karyna iniciou a carreira musical em 1997 como integrante do coro gospel Rejoicing Mass, tendo regressado à Guiné-Bissau em 2005 para integrar a lendária Orquestra Super Mama Djombo, símbolo da independência e resistência cultural do país.

Em 2011, fixou-se em Portugal e lançou o seu primeiro álbum a solo, “Mindjer” (2014), uma homenagem à força e à resiliência das mulheres guineenses, distinguido pelo Governo da Guiné-Bissau como melhor trabalho de intérprete do ano. O segundo álbum, “N’Na” (2021), aprofunda a ligação entre música, identidade e espiritualidade, com canções em crioulo e o uso da “cabaça de tina”, instrumento tradicional associado à herança feminina guineense.

Paralelamente à música, Karyna Gomes construiu uma sólida carreira como jornalista, tendo trabalhado para a RTP, a Associated Press e outros órgãos de comunicação internacionais. Em 2021, coordenou o primeiro projeto de jornalismo em crioulo guineense e cabo-verdiano para o jornal Mensagem de Lisboa, reforçando o seu compromisso com a democratização da informação e o reconhecimento das línguas africanas.

No campo social, é cofundadora do movimento Miguilan (Mindjeris di Guiné No Lanta – Mulheres da Guiné-Bissau, levantemo-nos), uma organização cívica que promove a paz, a democracia e os direitos humanos no país.

Em 2019, foi distinguida nos African Entertainment Awards USA como Melhor Artista Feminina dos PALOP.

Em 2025, desempenhou um papel essencial como Curadora e Coordenadora Musical da Primeira Bienal de Arte e Cultura de Bissau (MoAC Biss), onde foi responsável pela programação artística e pela seleção de músicos. Além da curadoria, atuou em palco, participando na performance “Netos de Amizade” e em concertos coletivos que celebraram a herança cultural guineense.

Ainda no mesmo ano, o trabalho de Karyna Gomes com a música “Aio Titina” representa um dos esforços de resgate cultural mais significativos da música guineense contemporânea. Depois de quase duas décadas de investigação, a artista reconstruiu uma canção histórica perdida nos arquivos, devolvendo voz e dignidade a Titina Silá, combatente do PAIGC e símbolo maior da emancipação feminina e da luta pela independência da Guiné-Bissau. Ao recuperar um poema de 1975 de José Carlos Schwartz e ao reconstituir a melodia a partir de uma bobina deteriorada encontrada em 2005, Karyna não só restitui uma memória quase apagada como atualiza o seu poder político e emocional para uma nova geração.