Bonga, nome artístico de José Adelino Barceló de Carvalho, é um cantor, compositor e ativista cultural angolano, reconhecido como uma das figuras mais influentes da música africana contemporânea e um símbolo vivo da identidade angolana. Nascido a 5 de setembro de 1942, em Porto Quipire (Bengo, Angola), Bonga é um nome indissociável da luta pela independência de Angola e da valorização da identidade cultural africana.
A sua infância nos musseques de Luanda, espaços de resistência e de afirmação cultural marcou-o profundamente. Foi ali que fundou o seu primeiro grupo, Os Kissueias do Ritmo, transformando a música tradicional num ato de resistência política e identitária durante o período colonial. Paralelamente, destacou-se como atleta de alta competição, tornando-se campeão nacional português dos 400 metros ao serviço do Benfica. No entanto, o envolvimento com o movimento independentista obrigou-o a fugir para os Países Baixos, onde iniciou o exílio e a carreira musical sob o nome Bonga, que em kimbundu significa “aquele que está à frente”.
Em 1972, gravou em Roterdão o lendário álbum Angola 72, um marco da música angolana e africana, que contém o clássico “Mona Ki Ngi Xica”, um lamento que se tornou hino da resistência e da diáspora. O disco foi proibido em Portugal e Angola pela sua carga política. Seguiu-se Angola 74, que inclui a primeira versão de “Sodade”, imortalizada anos depois por Cesária Évora.
Após a independência, Bonga tornou-se um dos principais embaixadores da cultura angolana no mundo, levando o semba, ritmo ancestral e precursor do samba, aos palcos internacionais. Foi o primeiro artista africano a atuar a solo no Coliseu dos Recreios e o primeiro a receber Discos de Ouro e de Platina em Portugal, consolidando-se como ícone da música africana moderna.
Ao longo da sua carreira, foi condecorado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras (2014) pelo governo francês, recebeu a Estrela no Muro da Fama (2016) do Nirvana Studios e foi homenageado pela Federação Portuguesa de Futebol e inúmeras instituições culturais africanas e europeias
Com mais de 32 álbuns editados, entre os quais se destacam Mulemba Xangola (2000), Kaxexe (2003), Hora Kota (2011) e Kintal da Banda (2022), Bonga continua a renovar-se artisticamente, preservando as raízes enquanto dialoga com novas gerações de artistas.
Em abril de 2025, regressou triunfalmente aos palcos de Cabo Verde, encerrando o Kriol Jazz Festival após 13 anos de ausência. A atuação, marcada por homenagens a Cesária Évora e Djunga de Biluca, foi descrita como uma celebração da memória e da resistência. Em novembro, o seu clássico “Mona Ki Ngi Xica” foi escolhido para uma campanha publicitária global da Bugatti.
Angola