Augusto Manuel dos Santos, conhecido como Nguxi dos Santos, é jornalista, repórter de guerra, produtor, realizador de televisão e fotógrafo angolano, reconhecido como um dos principais cronistas visuais da história contemporânea de Angola. Nascido a 22 de janeiro de 1960, no Nzeto, província do Zaire, a sua carreira está ligada à memória da guerra civil, à preservação do património cultural e ao fortalecimento da identidade nacional através da imagem e do audiovisual.
Iniciou o percurso profissional em 1979 na Televisão Pública de Angola (TPA), onde se destacou como repórter de guerra durante uma década (1979–1989). Foi membro da Direção Política do Departamento de Cinema das FAPLA, documentando batalhas históricas como a Batalha de Cahama (1981–1982) e o conflito pós-eleitoral de 1992 em Luanda. A sua lente tornou-se testemunha das transformações e traumas do país, registando o que poucos tiveram coragem de ver.
Nos anos seguintes, dedicou-se à realização e produção de documentários, consolidando uma filmografia que é, ao mesmo tempo, arquivo histórico e obra artística. Entre os seus trabalhos mais emblemáticos estão Pelo Silêncio das Armas (1994), que expõe a brutalidade da guerra civil; O Homem que foi enterrado vivo (1997), um retrato pungente da violência em Kalumba; O Comboio para a Vida (2000), sobre uma missão humanitária entre França e Níger; e Gaivota Negra (2003), um tributo à cantora Lourdes Van-Dúnem. Outros títulos, como Mamã Muxima (2009), Langidila – Diário de um Exílio sem Regresso (2014) e Do Fumo (2017), tornam-no um guardião da memória cultural angolana.
Como fotógrafo, Nguxi dos Santos construiu uma obra de forte carga simbólica, exposta em países como Moçambique, Macau, Venezuela e Angola. Mostras como Pessoas e Lugares, Marcas de Guerra e Túmulos dos Reinos do Congo revelam o seu olhar humanista e documental, centrado nas pessoas e nas marcas deixadas pela história. É também fundador da Nguxi Produções e sócio da Dread Locks Produções, tendo produzido conteúdos para televisão, cinema e eventos culturais. Publicou ainda o livro TPA e Outras Histórias, uma recolha de entrevistas e fotografias que testemunham os primórdios da televisão angolana.
Em 2025, foi homenageado na abertura da 4.ª edição do Festival Doc Luanda, reconhecimento da sua contribuição para o cinema documental e para a preservação da história de Angola através da imagem.
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