Reinata Sadimba, nascida em 1945 na aldeia de Nemu, no planalto de Mueda, é ceramista e uma das artistas moçambicanas de maior projeção internacional. Formada na tradição Makonde da cerâmica, que aprendeu com a mãe, começou por produzir peças utilitárias antes de desenvolver uma linguagem autoral centrada em figuras antropomórficas que exploram temas ligados à maternidade, ao corpo e às experiências das mulheres.
A sua obra transformou-se após a independência de Moçambique, quando passou a integrar nas peças elementos autobiográficos e simbólicos que romperam com os códigos tradicionais da cerâmica Makonde. Viveu na Tanzânia entre 1985 e 1992, período em que aprofundou a prática artística e realizou a sua primeira exposição individual em Dar es Salaam, em 1990. Regressou a Maputo em 1992 e instalou o seu ateliê no Museu de História Natural, com o apoio do diretor Augusto Cabral. As suas obras integram coleções como o Museu Nacional de Arte de Moçambique, o Museu de Etnologia de Lisboa e a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Em 2022 foi condecorada com o grau de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.
Entre 2024 e 2025 manteve uma presença consistente em feiras e exposições internacionais. Participou na Art Dubai, na 1-54 London e na VOLTA Basel, consolidando a relação com a Perve Galeria. Foi apresentada em Veneza e em Milão pelo AKKA Project, com destaque para a exposição “The Gaze” e para a mostra “Mascherada”. Em Maputo esteve em foco na exposição “Dedos do Barro e da Tinta”, realizada no Centro Cultural Franco-Moçambicano entre abril e junho de 2025, em diálogo com o pintor Sebastião Coana. No mesmo período integrou ainda a feira AKAA, em Paris, e participou na Abu Dhabi Art Fair, reforçando a circulação internacional do seu trabalho.
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