MAXWELL ALEXANDRE

Foto de divulgação: MAXWELL ALEXANDRE

Maxwell Alexandre, nascido em 1990 na Rocinha, Rio de Janeiro, é uma das figuras centrais da arte contemporânea brasileira. A sua trajetória reúne experiências diversas do skate profissional ao serviço militar, passando pela formação em design na PUC-Rio,       que moldaram uma prática artística orientada pela criação de narrativas visuais sobre presença, pertença e produção cultural negra no Brasil. Trabalhando sobretudo com pintura sobre papel pardo, Maxwell desenvolveu uma linguagem própria que questiona hierarquias da história da arte e os mecanismos de representação institucional.

Em abril, inaugurou no Sesc Avenida Paulista a exposição Novo Poder: Passabilidade, que permaneceu em cartaz até dezembro de 2024. Com mais de cinquenta pinturas, a mostra reuniu um grande público e tornou-se um dos eventos de maior destaque do calendário cultural. Em fevereiro de 2025, o projeto recebeu o Prêmio APCA de Melhor Exposição de Artes Visuais, distinguindo a sua relevância no debate sobre presença negra em espaços culturais e nas estruturas de poder que moldam a produção artística no país.

Em 2025, a itinerância de Novo Poder: Passabilidade para o Sesc Guarulhos ampliou o acesso ao trabalho do artista. No mesmo ano, Maxwell Alexandre integrou a 36.ª Bienal de São Paulo com a instalação Galeria 2, apresentada entre setembro de 2025 e junho de 2026. A obra propõe uma reflexão sobre o “cubo branco” como dispositivo de legitimação e sobre as dinâmicas históricas que definem o que se expõe e quem se expõe. Em paralelo, o artista continuou a desenvolver projetos internacionais, incluindo Sanctuary and the Shadow of its Walls, na Delfina Foundation, em Londres.

A sua investigação formal e conceitual tem no papel pardo um dos seus elementos mais característicos. O artista utiliza o material como suporte principal, atribuindo-lhe uma função crítica: por um lado, confronta a terminologia racial associada à palavra “pardo”; por outro, inscreve esse suporte na tradição da pintura, tensionando categorias de valor e questionando fronteiras entre o “nobre” e o “cotidiano”. Esta escolha articula debates sobre raça, classe e história da arte, presentes tanto nas pinturas quanto nos espaços alternativos que o artista cria, como o Pavilhão Maxwell Alexandre e a Igreja do Reino da Arte.Maxwell Alexandre também desenvolveu projetos no campo musical e reforçou a circulação internacional do seu trabalho.

O álbum Da Vinci, reúne composições que dialogam com temas de arte, religião e militarismo, ampliando a sua atuação para além das artes visuais. No mesmo período, as suas obras integraram a programação de instituições brasileiras e estrangeiras, sendo adquiridas por coleções como MASP, Pinacoteca de São Paulo, Museo Reina Sofía e Guggenheim Abu Dhabi.