KÁTIA TAELA

Foto de divulgação: KÁTIA TAELA

Kátia Taela é uma antropóloga, pesquisadora e consultora moçambicana, com mais de 18 anos de trabalho académico e aplicado sobre cidadania, género, desenvolvimento e contestação social. O seu percurso tem sido dedicado à análise das dinâmicas sociais e políticas que moldam Moçambique, com foco na agência das mulheres e nas formas alternativas de participação cívica. Reside em Maputo e é Associada Honorária do Institute of Development Studies (IDS), no Reino Unido.

Formou-se integralmente na Universidade de Sussex, onde concluiu o doutoramento em 2017 com a tese Identity and Agency in South-South Relations: Brazilian development workers and Mozambique, um estudo etnográfico sobre as relações de cooperação e poder entre profissionais brasileiros e moçambicanos no campo do desenvolvimento. A sua investigação estende-se às relações Sul-Sul, aos mecanismos de resolução de queixas no setor da saúde, ao empoderamento económico de mulheres e às expressões culturais de protesto.

Entre 2024 e 2025 destacou-se pela análise dos protestos pós-eleitorais em Moçambique, desencadeados após as eleições de outubro de 2024. Nos seus textos, examinou a participação das mulheres na contestação pública, sublinhando a diversidade de perfis envolvidos e a forma como reivindicam espaço político num contexto que historicamente as silenciou. A sua reflexão foi publicada em plataformas internacionais como o IDS Opinion e o Public Anthropologist.

Paralelamente, participou em projetos de desenvolvimento institucional e em setembro de 2024 coassinou o relatório Grievance Redress Mechanisms in the Health Sector, dedicado à implementação de mecanismos de queixas no setor público do Sul Global. Mantém colaboração com organizações como a Gender at Work e a WLSA Moçambique.

Em janeiro de 2025 publicou Understanding the gendered dimensions of post-election protests in Mozambique no IDS, onde analisou a presença de mulheres de diferentes idades, classes e crenças nos protestos, bem como as múltiplas formas de ação, marchas, canções e atos performativos. Em março de 2025, o Public Anthropologist destacou o seu contributo para o estudo das canções de protesto, investigando a música como ferramenta política em contextos de incerteza democrática.