FLÁVIO ALMADA

Foto de divulgação: FLÁVIO ALMADA

Flávio Zenun Almada (Cabo Verde, 1984), também conhecido como LBC Soldjah, é trabalhador social, rapper e um dos rostos mais ativos do movimento antirracista em Portugal. Cresceu na Cova da Moura, na Amadora, e tornou-se uma voz de referência na mobilização comunitária, no ativismo pela justiça social e na articulação política das lutas dos bairros periféricos. É o principal porta-voz do Movimento Vida Justa, organização que defende o direito à habitação, melhores condições de vida e o combate ao racismo estrutural.

Licenciou-se em Tradução e Escrita Criativa pela Universidade Lusófona e concluiu um mestrado em Estudos Internacionais no ISCTE. O percurso académico, combinado com experiências de trabalho em múltiplas áreas, incluindo a construção civil, moldou a abordagem com que hoje intervém na esfera pública, ancorada na realidade das comunidades racializadas e de baixos rendimentos.

O Movimento Vida Justa nasceu a 2 de outubro de 2022, numa oficina realizada na Cova da Moura. Desde então, tornou-se um dos movimentos sociais mais relevantes da Área Metropolitana de Lisboa, organizando a sua primeira grande manifestação em fevereiro de 2023. As reivindicações centram-se em cinco eixos: habitação digna, combate ao aumento do custo de vida, acesso a serviços públicos, justiça e cidadania para imigrantes, e representatividade das populações dos bairros nas decisões políticas.

Em 2024, após a morte de Odair Moniz, baleado por um agente da PSP, coordenou a organização de uma das maiores manifestações contra a violência policial em Portugal, realizada a 26 de outubro. Em 2025, acompanhou o início do julgamento do agente e reforçou a exigência de responsabilização institucional.

No mesmo período, o Vida Justa esteve no centro da luta pelo direito à habitação. Em junho e julho de 2025, após os despejos e demolições de casas nos bairros do Talude e da Quinta do Mocho, o movimento apoiou dezenas de famílias desalojadas, emitiu uma carta aberta e convocou uma manifestação nacional a 30 de julho, em frente ao Conselho de Ministros.

A Assembleia Popular “Construir o poder popular nos bairros”, realizada a 16 de novembro de 2025 no espaço cultural Mbongi 67, foi outro marco do período, reunindo ativistas e moradores de vários territórios para definir estratégias comuns de ação.

Como LBC Soldjah, utiliza o rap como ferramenta de denúncia e afirmação política, participando em projetos como o espetáculo Válvula e em temas que abordam desigualdade social e identidade, como Tudu Pobri é um Soldjah. Integra ainda a Plataforma Gueto, movimento dedicado à descolonização do pensamento, e o coletivo cultural Mbongi 67.