Dério da Silva Costa, conhecido artisticamente como Dério Quinto, é ator, performer, dramaturgo e educador santomense. Desde 2013, quando iniciou o percurso artístico na Associação Cultural Surpresa da Madrugada, tem desenvolvido uma trajetória marcada pela criação autoral, pela pedagogia teatral e pelo ativismo social e ambiental. A sua prática integra tradições locais e narrativas contemporâneas, promovendo o diálogo intercultural, a inclusão e a sustentabilidade.
Formado sob a orientação de mestres como João de Mello Alvim (Portugal), Humberto Pedrancini (Brasil) e Laurindo Vicente (São Tomé e Príncipe), consolidou uma abordagem artística assente no rigor técnico, na ancestralidade e na valorização das expressões orais santomenses. Trabalhou ainda em residência com Miguel Hurst, durante a Bienal de Arte e Cultura de São Tomé, onde desenvolveu a performance Oráculo de Ifá, que articula espiritualidade e ecologia.
Entre as suas criações, sobressaem A Minha Mulher Que Me Perdoe (2018), uma peça que explora com sensibilidade as relações humanas e os conflitos emocionais; Cinzas de Falcão (2021), desenvolvida em parceria com Clinton Lima, que aborda a memória, a perda e a reconstrução cultural; Mionga (2022), inspirada nas identidades insulares e nas heranças ancestrais; e Tchiloli: Uma Tragédia Atual (2023), uma releitura contemporânea do auto tradicional santomense, apresentada em São Tomé, Portugal e Moçambique. No cinema, participou em Ilha dos Cães (2017), de Jorge António, e em Chuva de Gravana, de Ângelo Torres.
Entre 2024 e 2025, Dério Quinto distinguiu-se pela direção artística de novos projetos teatrais, pela coordenação do Teatro na Sexta, uma agenda quinzenal de apresentações no espaço CACAU, que se tornou um ponto de encontro para artistas e público local, e pela fundação da Utonga Unipessoal Lda., produtora cultural dedicada ao desenvolvimento de projetos independentes e acessíveis. O artista também participou ativamente em ações de formação comunitária, ministrando oficinas de teatro para atores e não atores, com o objetivo de democratizar o acesso à criação artística e fortalecer o tecido cultural santomense.
Durante o mesmo período, reforçou o seu papel técnico e formativo como técnico de luz e coordenador do Xê-Festival de Dança Contemporânea de São Tomé, contribuindo para a profissionalização da produção artística no arquipélago. O seu envolvimento em projetos de performance e educação artística consolidou-o como um agente de ligação entre arte, pedagogia e cidadania cultural.
Ativista social e ambiental, Dério Quinto é uma das figuras centrais da nova geração artística de São Tomé e Príncipe. A sua obra, a performance, a pedagogia e a militância, projetam o arquipélago no panorama cultural da lusofonia.
São Tomé e Príncipe