ANA MARIA GONÇALVES

Foto de divulgação: ANA MARIA GONÇALVES

Ana Maria Gonçalves, nascida em Ibiá, Minas Gerais, a 13 de novembro de 1970, é escritora e professora de escrita criativa. A sua trajetória atravessa a literatura, a investigação histórica e a participação ativa nos debates sobre identidade e sociedade no Brasil. Depois de 15 anos a atuar na área da publicidade, mudou-se para a Bahia em 2002 para se dedicar exclusivamente à escrita.

Em 2006 publicou Um Defeito de Cor, romance de fôlego inspirado na trajetória de Kehinde e na figura histórica de Luísa Mahin. A obra, vencedora do Prémio Casa de las Américas em 2007, tornou-se central no debate sobre a formação social brasileira e passou a integrar programas académicos dentro e fora do país. A autora tem também trabalhos ligados à curadoria cultural, como a exposição Um defeito de cor, e realizou residências académicas em universidades como Tulane, Stanford e Middlebury College.

O enredo da Portela no Carnaval desse ano, baseado no livro, projetou Um Defeito de Cor para o topo das listas de vendas e ampliou substancialmente o seu público. A edição alcançou a 30.ª reimpressão e tornou-se num dos livros mais discutidos do ano.

Em 2025, esse impacto cultural abriu caminho para um reconhecimento institucional inédito. A 10 de julho, Ana Maria Gonçalves foi eleita para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher negra a integrar a instituição. A eleição, amplamente noticiada no Brasil e no exterior, teve posse marcada para 9 de novembro de 2025 e foi destacada pela ABL pela relevância da autora no debate literário e racial contemporâneo.

No mesmo período, manteve ainda atividades ligadas à curadoria, à docência em escrita criativa e à promoção de debates públicos sobre literatura, memória e relações raciais.